quinta-feira, 20 de agosto de 2009

SITUAÇÃO LINGUÍSTICA DA LÍNGUA CIBALKE

INTRODUÇÃO

Sendo a língua humana uma realidade cultural e social, ela reflecte a organização da sociedade bem como a maneira das relações estabelecidas diariamente entre os falantes. Deste modo, a língua como entidade heterogenia é forçada a adequar as diferentes realidades geográficas, económicas, politicas, sociais, culturais, históricas e linguísticas, sujeitando-se efectivamente, com as constantes mudanças e variações.

Com o objectivo feito a referência de alguns aspectos relacionados com a língua Cibalke, evidenciar-se-ão certas questões ligadas ao sistema da língua em causa, pois as mesmas contribuirão particularmente, para os investigadores desta língua compreenderem os diferentes fenómenos que favorecem a escrita e a oralidade da língua Cibalke, e de uma forma geral poderá efectivamente, ajudar ainda aos investigadores, linguistas e curiosos das demais línguas Moçambicanas que tenham o mesmo interesse linguístico a apoiar-se na efectivação dos estudos comparativos relacionados com as línguas.

Para além da localização geográfica da língua em causa, a presente indagação tem ainda por objectivo evidenciar em linhas gerais a transcrição fonética de algumas vogais, consoantes e sons que fazem parte desta língua. Contribuindo desta forma para a sua melhor compreensão, e na elaboração do alfabeto ou da ortografia da língua da mesma e ajudar a super certas dificuldades relacionadas com a escrita da referida língua, contudo, sem perder de vista as áreas acima já mencionadas.

LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA E NÚMERO DE FALANTES DA LÍNGUA CIBALKE

No que se refere a localização do Cibalke, esta língua é falada na região Centro da República de Moçambique, mais concretamente na actuai província de Manica, cobrindo todo o distrito do Barué, à excepção da localidade da Serra Shôa e os falantes desta língua auto-denominam-se Wabalke.

As línguas que fazem fronteira com o Cibalke são:

- (Wa)tewe;

- (Wa)tonga;

- (Wa)gorongozi;

- ( wa)manyika.

O Cibalke é tido por mais puro nas comunidades de (wa) Sena e (wa) Nyungwe, sobretudo nas áreas de Katandika, Choxvo, Lenyamatamba e Honde.

O Cibalke é falado desde o rio Pungué na localidade de Senyammutamba, ao sul da serra Shôa, a Oeste o distrito de Guro e ao Norte e Leste do distrito de Gorongosa, isto de acordo com Sitoe e Ngunga (2000).

Quanto ao número de falantes da língua Cibalke é de referir que, segundo Sitoe e Ngunga (op. cit), não nos é possível determinar o número de falantes, pois o Senso Populacional de 1997 não faz referência a esta língua, talvez por ser considerada um dos dialectos do Shona, língua falada por cerca de 15.000 pessoas na região, ou por ser considerada por Alfandega (2009), como variante da língua Cisena, ideia essa corroborada por nós e por muitos estudantes falantes do Cibalke inclusive até os falantes nativos da mesma. Portanto, a língua não comporta variantes a assimilar, revelando, por isso, uma grande homogeneidade.

Ao longo do tempo concebido, reunimos um conjunto de conhecimentos linguísticos que nos permitiram saber um pouco da língua aqui tratada. O trabalho foi elaborado através de consulta de algumas obras indicadas na bibliografia como também nas conversas e consultas a alguns outros estudantes.

INDICAÇÃO DOS FONEMAS

Visto que as letras representam os básicos do AFI (Alfabeto Fonético Internacional). É óbvio, de que as letras de que possuem correspondentes no latino, geralmente recebem também fonemas equivalentes ao da mesma letra em algum idioma que as usa, como e o caso da língua Cibalke. Dai que, algumas delas aparecem também ligeiramente modificadas. Quando isso ocorre, correspondem a um som similar ao da letra base.

AS VOGAIS

E porque as letras são classificadas em consoantes e vogais, importa-nos referir que:

As vogais são introduzidas sem nenhum impedimento na passagem da corrente do ar, e que o sistema vocálico da língua Cibalke possui cinco (5) vogais a saber:

- [a] A aberta, central;

- [e] E semi-fechada, anterior;

- [i] I fechada, anterior;

- [o] O semi-fechada, posterior;

- [u] U fechada, posterior.

Conforme pode-se observar, as vogais constituem uma classe de sons cuja produção não envolve uma constrição significativa dos articuladores na cavidade oral, espaço onde a maioria das vogais são produzidas.

As duas semi-vogais como o nome diz, são sons que tem ao mesmo tempo traços de consoantes e vogais, sendo o [y] e o [w].

As vogais nasalizadas são raras, pois só correm em certos monossílabos, onde deve ser marcado com um til sobre a vogal considerada. Ex: [ã].

As vogais longas são as que em sílabas acentuadas, onde as vogais são ligeiramente alongadas, sem por isso, serem distintivos, sendo assim não se deve marcar o alongamento destas mesmas. As vogais e e o podem ocorrer como semi-abertas mas na escrita escrevem-se da mesma maneira.

AS CONSOANTES

Quanto as consoantes ou contóides, que são os sons da fala humana produzidos com uma obstrução do ar pelos órgãos do aparelho fonador. Temos a realçar de que apesar de muitos problemas concernentes a adopção de uma escrita única, para África negra, a língua Cibalke possui tantas consoantes tais como:

- As oclusivas, não vozeadas, labial [p]; As oclusivas, não vozeadas, dental [t]; As oclusivas, não vozeadas, palatal [c]; As oclusivas, não vozeadas, velar [k].

- As oclusivas, vozeadas, labial [bh]; As oclusivas, vozeadas, dental [dh]; As oclusivas, vozeadas, palatal [j]; As oclusivas, vozeadas, velar [g].

- As fricativas, não vozeadas, labial [f]; As fricativas, não vozeadas, dental [s]; As fricativas, não vozeadas, alveolar [sv]; As fricativas, não vozeadas, palatal [x]; As fricativas, não vozeadas, velar [h].

- As fricativas, vozeadas, labial [vh]; As fricativas, vozeadas, dental [z]; As fricativas, vozeadas, alveolar [zv]; As fricativas, vozeadas, palatal [xj].

- As africadas, não vozeadas, labial [pf]; As africadas, não vozeadas, dental [ts]; As africadas, não vozeadas, alveolar [ps].

- As africadas, vozeadas, labial [bv]; As africadas, vozeadas, dental [dz]; As africadas, vozeadas, alveolar [bz].

- As nasais, não vozeadas, labial [mh]; As nasais, não vozeadas, dental [nh].

- As nasais, vozeadas, labial [m]; As nasais, vozeadas, dental [n]; As nasais, vozeadas, palatal [ny]; As nasais, vozeadas, velar [ng].

- Continua, labial [w]; continua, dental lr,[r]; continua,palatal [y].

- Implosiva, labial [b]; implosiva, dental [d]; implosiva, palatal [dy].

É importante frisarmos de que na língua Cibalke não ocorre com muita frequência a sequência de vogais, dai ser obrigatório em caso que não acontece, a aplicação de uma regra fonológica que Ngunga (2004), refere de resolução de hiatos, são elas as semi-vocalizações, elisão ou fusão.

Ainda quanto as consoantes é de salientar que as nasais silábicas podem ser uma vogal ou uma nasal silábicas, bastando a sua margem ser constituída por uma consoante simples (sequencia de consoantes ou semi-vogais), a nasal silábica resultada da queda da vogal acompanhante. Podendo ser representado por m’, isto para não se confundir com a pré-nasalização, sobre tudo quando a consoante que se lhe segue é vozeada.

Quanto as labializações da língua Cibalke, é de referir que o estudo da previsibilidade da sua ocorrência ainda não esta feita. No entanto, a labialização afecta a grande parte das consoantes, e suas combinações deverão ser mercadas com um w.

De salientar também que a aspiração afecta as oclusivas não vozeadas sendo o caso das consoantes p, t, c e k, podendo ser marcada com h.

É quanto as pré-nasalizações é de dizer que estas afectam as oclusivas sonoras sendo o caso de b, d, g, como também as fricativas no caso de pf, bv, ts, dz, ps, bz, dj, ch, e kh.

Nas consoantes especiais existem três categorias sendo a primeira a consoante vh que representa a fricativa dentilabial vozeada [v], e que não se deve confundir com qualquer aspiração, o mesmo se diz em relação à oclusiva bilabial vozeada bh [b] e a oclusiva dental dh [d], cujo grafia com h é raramente convencional, este som é disponível na língua, embora apareça muito raramente em ideofenes ou em termos derivados de ideofones.

Existe também o grafema xj que representa a fricativa palatal vozeada [3]. Também ocorre bastante e raramente, sendo mais frequente em empréstimos de origem portuguesa.

E o último caso especial é o que ocorre com o r que representa a vibrante simples. A ocorrência deste som, se não for em empréstimo, também de origem portuguesa, é previsível, tratando-se da vibrante de l, quando procedido de uma das vogais anteriores i ou e.

CONCEITOS A SEREM USADOS

Fonologia estuda sistemas de sons da fala, sua estrutura e sua função na língua, isto é, na língua há alguns sons que podem ser empregues para distinguir palavras de significados diferentes, enquanto outros sons não podem ser usados para isso. Assim enquanto um estudo fonético fornece um inventário e a descrição dos sons da fala como fenómenos físicos apenas, sem se interessar pela sua função na comunicação, na transmissão de significado de palavras ao passo que o estudo fonológico não só faz o levantamento dos sons da língua do ponto de vista físico, como ainda estuda a sua estrutura e as regras que regem a sua combinação no sistema, bem como a sua função na comunicação, Ngunga (2004).

Do ponto de vista articulatório, as vogais podem ser consideradas sons formados pela vibração das cordas vocais e modificados segundo a forma das cavidades supra-laríngeas, que devem estar sempre abertos ou entreabertas à passagem do ar. Na pronúncia das consoantes, ao contrário, há sempre na cavidade bucal obstáculo a passagem da corrente expiratória, segundo Cunha & Cintra (2004).

De acordo com Ngunga, o Relatório do Primeiro Seminário de Padronização Sobre a Ortografia de Línguas Moçambicanas reporta 27 símbolos consonânticos destas línguas, sendo favorável o número correspondente a cada língua particular. E segundo Cunha e Cintra (2004) toda a distribuição significativa entre duas palavras de uma língua estabelecida pela oposição ou contraste entre dois sons revela que cada um desses sons representa uma unidade mental sonora diferente, essa unidade de que o som é a representação (ou realização) recebe o nome de fonema.

CONCLUSÃO

Com o presente trabalho pretendemos discutir e mostrar algumas particularidades referente a ortografia das línguas de uma forma geral com destaque das línguas Bantu e particularmente a língua Cibalke.

E como se pode ver o mesmo trabalho está dividido em partes, onde falamos da localização, classificação e número de falantes do Cibalke, bem como das vogais e consoantes que são utilizadas em Cibalke, e da transcrição fonética de algumas palavras do Cibalke e muito mais.

Face a dimensão do trabalho, é importante salientar que nos era requerido apresentar muito mais, e com muitos mais detalhes, pois, não nos foi possível apresentar o maior número de detalhes possíveis devido a limitação de páginas que nos é imposto. Daí que, nos sentimos limitados em não poder apresentar outros detalhes.

Mais, não obstante, prometemos desenvolver o tema em curso nas próximas ocasiões e com mais possibilidades de apresentar outros aspectos aqui não patentes bem como os seus respectivos detalhes.

Contudo, agradecemos imenso a tarefa que é incumbida, pois, permite-nos desenvolver melhor e praticarmos na íntegra a teoria que temos vindo a receber dos nossos estimados mestres e investigadores a todos níveis.

1 comentário:

  1. Estimado señor Gastene:

    me ha gustado mucho su artículo sobre la lengua cibalke, una lengua de la que es difícil encontrar información. Yo soy rpofesor de español en la Facultad de Traducción de la Escuela Superior Universitaria de Gante (Bélgica). Una afición mí consiste en coleccionar la palabra mariposa (borboleta) en todas las lenguas del mundo. ¿Usted conoce la palabra en lengua cibalke? Le agradecería que me la comunicara. Un saludo desde Bélgica, Pol Grymonprez (polgrym@yahoo.com)

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